Que o mundo é machista não é nenhuma novidade. Como você, mulher, deve saber bem (e sentir na pele todos os dias), por mais que determinados comportamentos estejam mudando a passinhos de formiga, a sociedade como um todo – mesmo que alguns países tenham ideias mais progressistas do que outros – ainda tem muito o que evoluir nesse aspecto.

E, quando falamos sobre machismo, estamos falando, também, sobre a construção da masculinidade. Para entender melhor, em resumo, já que o assunto rende horas de debate: sabe aquela noção, muitas vezes ensinada desde a infância, de que o homem tem de ser o provedor, o “macho alfa”, aquele que manda, desmanda e não divide as tarefas domésticas dentro de casa, porque isso não passa de “coisa de mulher”? Pois bem. Quando um menino é criado seguindo esses padrões, as chances dele crescer sendo um adulto abusivo, violento e cheio de preconceitos são as maiores – consequentemente, isso não afeta somente a ele, mas também às mulheres ao seu redor.

Se você quiser notar alguns desses comportamentos que vêm da masculinidade construída sob padrões específicos, basta observar certos relacionamentos heterossexuais com um pouquinho de atenção. Em muitos deles ainda existe aquela antiga crença de que tomar determinadas atitudes – como fazer um simples pedido de casamento, por exemplo – é responsabilidade exclusiva do homem. Às mulheres, por sua vez, resta apenas esperar sentadas pela ação que, vamos combinar, muitas vezes nem chega a acontecer.

Mas é sobre atitude que queremos falar aqui. Ou melhor, sobre mulheres de atitude que, assim como os homens sempre fizeram ao longo da história, também se sentiram no direito de agir e expor seus desejos dentro do relacionamento – o que é extremamente normal, aceitável e deveria ser feito com muito mais frequência.

Hoje, queremos falar sobre três mulheres que mandaram o famoso “quer casar comigo?” aos respectivos boys, sem medo de julgamentos, e provando por a+b o quanto a quebra de padrões é necessária.

Laina Fasoli, designer

“Meu pedido foi bem simples, na verdade não envolveu nada tradicional, como anel de noivado. Eu e meu noivo nos conhecemos no nosso antigo trabalho, e nosso primeiro contato só aconteceu porque ele precisava carregar o celular. Eu era a única que tinha um cabo de iPhone, então emprestei o meu. Depois, ele me devolveu e agradeceu, e a partir desse momento eu senti meu coração balançar.

Toda vez que ele se declarava para mim, ele sempre falava: ‘Viu, amor, foi só emprestar seu cabo para mim, e agora estamos juntos!’. Ou, então: ‘Você imaginava que com aquele moço, para quem você emprestou o cabo, ia acontecer tudo isso?’.

Eu realmente não imaginava, mas a gente passou por muita coisa até chegar onde estamos. Hoje moramos juntos em um apartamento alugado, mas juntos, no ‘nosso’ canto. Quando nos mudamos, eu vi nele alguém com quem eu queria ficar durante a minha vida toda, e comecei a pensar em como dizer isso para ele.

Então, eu fiz um painel escrito ‘marry me’ [‘casa comigo?’, em inglês] com os cabos de iPhone, esperei ele chegar em casa, coloquei uma venda em seus olhos, disse que tinha uma surpresa, e o levei para o quarto onde o painel estava grudado. Aí, comecei a me declarar falando tudo o que sentia. No fim, pedi para ele tirar a venda, ele viu o painel e eu perguntei: ‘casa comigo?’. Ele assentiu com a cabeça e me abraçou, com os olhos cheios de lágrimas – eu já estava chorando de emoção (risos).

A Laina fez questão de compartilhar com a gente uma imagem do painel, que ela mesma montou (Laina Fasoli/Arquivo Pessoal)

Se você sente no seu coração que é a coisa que você quer, faça! Não se trata de tempo, se trata de qualidade, de confiança, respeito, companheirismo e, sobretudo, amor. Então, não tem certo ou errado quando a gente sente no nosso coração que estamos felizes, sabe? Quem faz nosso caminho somos nós mesmas, não importam os rótulos ou cobranças por conta do gênero, o que importa é ser feliz com quem nos faz bem!”.

Quando Laina pediu o programador Celso Henrique em casamento, eles estavam juntos há pouco mais de um ano. A cerimônia oficial será em 2019.

Por Ketlyn Araujo | M de mulher

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